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A Comunicação Organizacional e os Recursos Humanos

A comunicação interna da sua empresa é eficaz?

Em um mercado cada dia mais competitivo, em que produtividade, comprometimento e, principalmente, foco no negócio são fundamentais para que as empresas atinjam os seus objetivos, surgem métricas para tudo.
Não apenas quantitativas, mas também qualitativas. Estamos testemunhando o triunfo da HP 12C, dos grupos de discussão, das pesquisas. Nada se resolve sem que antes se consulte uma planilha, uma série histórica. Sem dados, enfim, não é possível tomar decisões.
Há, no entanto, uma função cuja eficácia é muito pouco mensurada nas empresas: a função comunicação interna. A 4ª Pesquisa e-Facts Mercer sobre Comunicação Organizacional (Raio C) revela isso com todas as letras, ou melhor, com todos os números:

72% das 114 empresas ouvidas de 22 de junho a 23 de julho deste ano, todas de grande porte, não mensuram a eficácia da comunicação interna.
A informação, alarmante, é causa de diversas outras dificuldades que a função enfrenta nas empresas.

Segundo a mesma pesquisa, como a eficácia da comunicação interna não é monitorada, em 64% das empresas os gestores não conseguem os recursos necessários para tocar as atividades da área. E, assim, 55% das companhias são levadas a considerar como “gastos”, e não como “investimentos”, os recursos aplicados em comunicação interna.

Brilho nos olhos
Certa vez, em um contato feito pela Mercer com uma determinada empresa, nosso interlocutor disse que mensurava a eficácia da comunicação interna com base no brilho dos olhos dos colaboradores.
Quando o brilho aumentava, significava que os cartazes foram bem-sucedidos, a intranet estava agradando, a revista trazia matérias realmente interessantes.
Quando o olhar se tornava baço, era sinal de que algo precisava ser feito. Talvez a implantação de uma TV interna, a realização de uma performance com engolidores de fogo, uma palestra com algum guru empresarial.
Fico imaginando a seguinte cena: no momento de definição do orçamento das áreas para o ano seguinte – e muitas companhias estão vivenciando esta “sublime” experiência agora –, o profissional de comunicação tenta convencer o seu interlocutor, o implacável diretor financeiro, de que sua área deve receber um orçamento anual 20% maior, porque o brilho dos olhos dos colaboradores não só aumentou, como suas bochechas ainda por cima estão visivelmente mais coradas.
Do outro lado da mesa, um senhor dedilha sua HP 12C, insere dados em uma planilha Excel aberta na tela do micro e exibe um olhar, já que estamos falando de olhos, capaz de disparar mísseis intercontinentais, de transformar o mar em sertão e o Saara em uma monumental calota polar.

Conforme o Raio C, 71% dos líderes de comunicação interna são jornalistas, publicitários ou relações públicas

Talvez na ótica do comunicador, em conseqüência de sua forte formação humanista, reduzir tudo a números ou percentuais é de uma pobreza de espírito sem tamanho.

No entanto, no mundo corporativo, não há como fugir dessa realidade. Tudo precisa ser mensurado, seja quantitativa ou qualitativamente (1).

Enfim, precisamos perceber:

a necessidade de medir, com precisão, se os meios e veículos utilizados atualmente são eficientes;
como a comunicação interna está contribuindo para transmitir os objetivos de negócios aos colaboradores;
como a comunicação interna estimula as ações e os comportamentos esperados de cada um;
como a comunicação interna alavanca resultados.

Caso contrário, sempre haverá do outro lado da mesa, na hora de reivindicarmos aumento de orçamento, de equipe ou de estrutura, um senhor com cara de poucos amigos, fazendo-nos perguntas impertinentes sobre números, impactos e resultados que, sem as métricas adequadas, não conseguiremos responder.A comunicação interna da sua empresa é eficaz?
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