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diversidade
Todo o indivíduo é único. simultaneamente, cada indivíduo partilha características biológicas e ambientais com um certo número de passoas. A diversidade no local de trabalho pode ser definida, de modo geral, como o reconhecimento de grupos de pessoas que partilham esses traços comuns. estes traços - as propriedades e características que constituem uma pessoa - tornam-nos uma unidade e simultaneamente dividem-nos (Carrell, lber & Hatfield, 2000; Gómez-Méjia, Balkin & Cardy, 2001).
a comunicação organizacional e a gestão de recursos humanos
É amplamente reconhecido que a comunicação é essencial ao funcionamento de qualquer organização. No entanto, a forma como a maioria destas pensa os seus sistemas de comunicação é excessivamente redutora...
Teresa Ruão (Assistente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho)
Teresa Ruão (Assistente do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho)
recursos humanos: perspectivas para 2005
Em 2005, os profissionais de RH vão-se lembrar das palavras de H.J.Brown: "As pessoas podem ser divididas em três grupos: as que fazem as coisas acontecer; as que vêem as coisas acontecer; e as que perguntam o que foi que aconteceu" - e, graças a Deus, eles decidirão ficar no primeiro grupo.
Floriano Serra
rhmagazine
Floriano Serra
rhmagazine
a comunicação estratégica nas organizações
" as organizções são o fenómeno característico da sociedade moderna, 'constituem o instrumento de alteração e mudança das realidades sociais'". (Garrido, 2001:26).
Ideologia e comunicação
No domínio da comunicação social os últimos anos foram caracterizados pelo desaparecimento em cadeia de diversos projectos empresariais.
Revistas e principalmente jornais apareceram e desapareceram como cogumelos, depois de meteóricas passagens pelas bancas que ninguém recorda. As causas do desaparecimento são múltiplas e vão desde as puramente políticas até às estritamente económicas.
Estevão de Moura
Revistas e principalmente jornais apareceram e desapareceram como cogumelos, depois de meteóricas passagens pelas bancas que ninguém recorda. As causas do desaparecimento são múltiplas e vão desde as puramente políticas até às estritamente económicas.
Estevão de Moura
Porquê Gerir Conhecimentos e Medir o Capital Intelectual?
Todas as teorias económicas assentavam no pressuposto irredutível da escassez dos recursos. A economia e a gestão desenvolveram assim, ao longo da sua história, um conjunto de métodos e técnicas conducentes à administração eficaz de recursos limitados: os factores de produção.
No limiar do século XXI, ainda que os recursos materiais continuem escassos, as empresas alinham agora a sua actividade com a estratégia, definida por directrizes e não números. A estratégia das empresas deixou de ser quantitativa para ser qualitativa. O tangível foi substituído pelo intangível, no que respeita às grandes linhas de orientação das organizações.
Num contexto de eleveda competitividade fidelizar o Cliente torna-se a actividade mais nobre e difícil das Empresas. as empresas deixaram, por isso, de vender simplesmente produtos para vendes Serviços. O valor acrescentado radica agora não só no produto mas na qualidade de serviço que lhe é associado. esta assunção é tão verdadeira quanto o facto de o Cliente procurar agora produtos customizados, ou seja, feitos exactamente à medida das suas necessidades. A massificação cede progressivamente lugar à customização.
Porém, não será exclusivamente através da tecnologia disponível no mercado que aquele desiderato será alcançado. A tecnologia, per si, contribuira para a massificação dos mercados, nunca para a sua diferenciação.
No século XXI, "os recursos naturais, financeiros e processos produtivos serão substituídos enquento recursos estratégicos uma vez que estão agora disponíveis através de transacções comerciais numa base mais ou menos equitativa", como sustentou Keith Bradley citado por Edvinsson & Malone (1997). Neste sentido também Thurow (1998) refere que os recursos naturais deixaram de fazer parte da equação competitiva porque as indústrias competitivas do futuro são todas baseadas na "massa cinzenta".
Com o desenvolvimento do chip, da cibernética, da fibra óptica, da internet, enfim, das tecnologias de informação, entramos, provavelmente de forma irreversível, na Era da Informação. As empresas estão a vivenciar uma transição da Era Industrial para uma outra baseada na Informação e no Conhecimento.
Segundo Avillez (1996), as tecnologias de informação transformam a natureza do trabalho e a organização da produção. A organização das empresas evolui no sentido de uma maior flexibilidade e descentralização. O trabalho fará cada vez mais apelo à inteligência, exigindo espírito de iniciativa e capacidade de adaptação.
De acordo com Manasco, a emergência da Era do Conhecimento coloca a tónica num ágil e produtivo trabalho mental. As mudanças a alta velocidade exigem aprendizagens a alta velocidade. Estas mudanças devem assentar, contudo, no desenvolvimento de arquitecturas de informação que promovam e facilitem uma aquisição, partilha e geração de Conhecimentos em tempo real.
O Conhecimento assume agora, numa economia progressivamente global, o papel de recurso dos recursos. de acordo com Drucker, citado por Watson (1998), o Conhecimento tornou-se o recuros chave da economia mundial. O conhecimento está a tornar-se o factor produtivo crítico.
também Arie de Geus, citado por Rodrigues (1998), anunciou na IKON - Innovation, Knowledge, Opportunity Network - "o fim da era capitalista começa no século XV e a ascenção do conhecimento como factor crítico da nova economia de fim de século".
(...)
Célio Sousa
No limiar do século XXI, ainda que os recursos materiais continuem escassos, as empresas alinham agora a sua actividade com a estratégia, definida por directrizes e não números. A estratégia das empresas deixou de ser quantitativa para ser qualitativa. O tangível foi substituído pelo intangível, no que respeita às grandes linhas de orientação das organizações.
Num contexto de eleveda competitividade fidelizar o Cliente torna-se a actividade mais nobre e difícil das Empresas. as empresas deixaram, por isso, de vender simplesmente produtos para vendes Serviços. O valor acrescentado radica agora não só no produto mas na qualidade de serviço que lhe é associado. esta assunção é tão verdadeira quanto o facto de o Cliente procurar agora produtos customizados, ou seja, feitos exactamente à medida das suas necessidades. A massificação cede progressivamente lugar à customização.
Porém, não será exclusivamente através da tecnologia disponível no mercado que aquele desiderato será alcançado. A tecnologia, per si, contribuira para a massificação dos mercados, nunca para a sua diferenciação.
No século XXI, "os recursos naturais, financeiros e processos produtivos serão substituídos enquento recursos estratégicos uma vez que estão agora disponíveis através de transacções comerciais numa base mais ou menos equitativa", como sustentou Keith Bradley citado por Edvinsson & Malone (1997). Neste sentido também Thurow (1998) refere que os recursos naturais deixaram de fazer parte da equação competitiva porque as indústrias competitivas do futuro são todas baseadas na "massa cinzenta".
Com o desenvolvimento do chip, da cibernética, da fibra óptica, da internet, enfim, das tecnologias de informação, entramos, provavelmente de forma irreversível, na Era da Informação. As empresas estão a vivenciar uma transição da Era Industrial para uma outra baseada na Informação e no Conhecimento.
Segundo Avillez (1996), as tecnologias de informação transformam a natureza do trabalho e a organização da produção. A organização das empresas evolui no sentido de uma maior flexibilidade e descentralização. O trabalho fará cada vez mais apelo à inteligência, exigindo espírito de iniciativa e capacidade de adaptação.
De acordo com Manasco, a emergência da Era do Conhecimento coloca a tónica num ágil e produtivo trabalho mental. As mudanças a alta velocidade exigem aprendizagens a alta velocidade. Estas mudanças devem assentar, contudo, no desenvolvimento de arquitecturas de informação que promovam e facilitem uma aquisição, partilha e geração de Conhecimentos em tempo real.
O Conhecimento assume agora, numa economia progressivamente global, o papel de recurso dos recursos. de acordo com Drucker, citado por Watson (1998), o Conhecimento tornou-se o recuros chave da economia mundial. O conhecimento está a tornar-se o factor produtivo crítico.
também Arie de Geus, citado por Rodrigues (1998), anunciou na IKON - Innovation, Knowledge, Opportunity Network - "o fim da era capitalista começa no século XV e a ascenção do conhecimento como factor crítico da nova economia de fim de século".
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Célio Sousa
escola das relações humanas
Tentando reagir ao tradicionalismo da organização científica do trabalho, que considerava o homem de um ponto de vista atomístico e simplista, como apêndice da máquina ou mero ocupante de um cargo na hierarquia, surgiu, nos anos 20, a partir das experiências de Elton Mayo, a escola das relações humanas. A nova teoria deu ênfase ao homem e ao clima psicológico de trabalho, enfatizando a necessidade do trabalhador pertencer a um grupo. Considerou principalmente as expectativas dos trabalhadores, a organização e liderança informais e a rede não convencional de comunicações (Chiavenato apud Proença, 1983).
Alguns autores salientam que os pressupostos considerados nesta escola são considerados incompletos na medida em que não alteram, de forma alguma, o modo como o trabalho é organizado na organização taylorista, são mudanças periféricas.
Noulin (1992), salienta que estas mudanças referem-se ao aumento das vantagens materiais: melhorias das condições físicas do trabalho, aumento do número de pausas, direito de falar durante o trabalho, redução dos horários e sobre a função da hierarquia como estimuladora. Desta forma, as mudanças foram encaradas mais como uma compensação ou complemento do que como uma contradição ao taylorismo.
A Escola das relações humanas desenvolve uma abordagem mecanista, a exemplo de Taylor que considerava o homem uma engrenagem da organização. Mas com ela, é o grupo que torna-se a engrenagem essencial do funcionamento dos sistemas. Ë possível conhecer cientificamente seus mecanismos para agir em um sentido favorável à produção. Considerava o indivíduo e o grupo como um elemento de um conjunto, que precisaria ser conhecido, mas ao qual não era conferido nenhum tipo de decisão (Proença, 1993).
Alguns autores salientam que os pressupostos considerados nesta escola são considerados incompletos na medida em que não alteram, de forma alguma, o modo como o trabalho é organizado na organização taylorista, são mudanças periféricas.
Noulin (1992), salienta que estas mudanças referem-se ao aumento das vantagens materiais: melhorias das condições físicas do trabalho, aumento do número de pausas, direito de falar durante o trabalho, redução dos horários e sobre a função da hierarquia como estimuladora. Desta forma, as mudanças foram encaradas mais como uma compensação ou complemento do que como uma contradição ao taylorismo.
A Escola das relações humanas desenvolve uma abordagem mecanista, a exemplo de Taylor que considerava o homem uma engrenagem da organização. Mas com ela, é o grupo que torna-se a engrenagem essencial do funcionamento dos sistemas. Ë possível conhecer cientificamente seus mecanismos para agir em um sentido favorável à produção. Considerava o indivíduo e o grupo como um elemento de um conjunto, que precisaria ser conhecido, mas ao qual não era conferido nenhum tipo de decisão (Proença, 1993).
comunicação, trabalho e aprendizagem nas organizações
A comunicação nas organizações - ontem e hoje
Neste bloco, veremos como a comunicação organizacional vem sendo analisada e operada, ao longo do tempo, nas organizações. De início, convém conceituar e diferenciar comunicação e informação.
Comunicação é, antes de tudo, interação, diálogo, tornar comum. Não pode ser confundida com a simples transmissão unilateral de informações. Mas, no ambiente das organizações, a dimensão comunicação quase sempre está reduzida a um instrumento de divulgação e de controle.
Em trabalhos anteriores (Curvello, 1993, 1996a, 1996b), referimo-nos ao fato de que, em função das mudanças implementadas nas organizações, ampliou-se nos últimos anos o estudo da comunicação praticada na organização, pois esta se constitui num dos elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do universo simbólico.
Naqueles textos, já identificávamos que a comunicação organizacional passava, de mero instrumento gerencial para transmissão de ordens e
informações, a ser vista como estratégica para a construção de um universo simbólico, que, aliado às políticas de administração de recursos humanos, visava aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa, apropriando-se em quase todos os momentos, dos elementos constitutivos desse universo (histórias, mitos, heróis, rituais) na construção e veiculação das mensagens pelos canais formais (jornais, boletins, circulares, reuniões), numa permanente relação de troca com o ambiente (Curvello, 1993: 7).
Tradicionalmente, a comunicação organizacional foi sendo definida resumidamente como: aquela que serve para criar, fazer funcionar e manter atuantes as organizações sociais... Em razão disso, pertencem ao âmbito da comunicação organizacional todas as atividades comunicativas de que lançam mão os responsáveis por uma organização para que ela exista e cumpra o seu papel (Almeida, 1981:82).
Detentora de um clássico papel integrador e harmonizador, outra característica da comunicação organizacional foi o fato de ter colaborado para criar o que Etizioni (1980:70) denominou de "quadro irreal de felicidade". A organização era descrita como uma família ideal, onde não havia a luta de poder entre grupos com valores e interesses conflitantes. E mais: os comunicados organizacionais, vendiam a idéia de que a organização era o único espaço em que o indivíduo poderia crescer, a única referência, o único ponto de apoio. (Curvello, 1993, 1996a, 1996b).
Mas apesar da crescente importância atribuída à comunicação, muitas são as barreiras organizacionais a um livre fluxo de idéias e opiniões.
As primeiras grandes barreiras podem ser encontradas nas próprias contradições inerentes ao trabalho. Essas contradições internas, no entender de Aktouf (1996), se produziriam na separação produtor/produto de seu trabalho, na perda do sentido do trabalho (separação trabalhador/ação), no corte com a natureza (o tempo do trabalho subverte o tempo biológico) e na separação trabalhador/proprietário.
Outra variável importante para analisarmos como as empresas lidam com a questão da comunicação é a ideologia gerencial, ou o modo de pensar dominante no ambiente da administração, em que toda questão é avaliada a partir da perspectiva da racionalidade econômica, através da otimização dos meios, com rapidez, em busca da eficácia. Essa racionalidade, aliada às estruturas burocráticas, acaba por impor barreiras ao livre trânsito de informações. Só circulam livremente aquelas informações e aquelas idéias voltadas para a produtividade. Tudo o mais é visto como desperdício (Chanlat e Bedard, 1992:137-143).
A própria língua administrativa, caracterizada pela predominância do modo imperativo e pela normatização, constitui outra barreira. No Brasil, de tradicional cultura bacharelesca, juntam-se a esse pendor autoritário, o rebuscamento e o excesso de preocupação com a forma, em detrimento do conteúdo. A isso podemos agregar a barreira representada pelos jargões especializados ou idioletos que, em sua codificação levada ao extremo, restringem sua interpretação a iniciados.
A estrutura burocrática, a que já nos referimos, e que ainda domina a cena organizacional, é talvez a maior das barreiras, por impor canais e interlocutores, definindo-os previamente a partir da hierarquia funcional.
Outros obstáculos são as culturas organizacionais ancoradas na autoridade e na norma, a que também já nos referimos, e o excesso ou a falta de objetividade. O excesso de objetividade levando a uma reificação da comunicação e a uma redução do processo comunicativo à razão instrumental; e a falta de objetividade levando a uma falsa democracia em que todos falam sem chegar a um entendimento.
Ainda podem ser listadas como barreiras à comunicação a prevalência de algumas idéias preconcebidas acerca da figura do executivo ou administrador, as verdades definitivas, no entender de Aktouf (1996:122-127). A primeira dessas verdades seria a noção de propriedade privada, com base na legitimação da detenção do poder e do exercício da dominação, tratada como um instinto ou algo natural enquanto, na realidade, é fruto das relações sociais e das culturas. A outra verdade diz respeito aos direitos do chefe, como o poder, os privilégios reservados, o direito de usar em primeiro lugar, de dar ordens, de se fazer obedecer, de decidir... (AKTOUF, 1996:124). Outra, estaria associada à ideía de que a busca de produtividade, do prazer máximo e do ganho sistemático seriam também qualidades naturais à espécie humana. Essas visões justificam muito da postura autoritária encontrada em administradores, que acreditam piamente terem sido naturalmente escolhidos para os altos postos da hierarquia.
Além desses obstáculos listados e comentados, é preciso concordar com Omar Aktouf quando nos diz que a comunicação organizacional, tal como é conduzida, teorizada e tradicionalmente ensinada, visa muito mais o controle e a dominação das situações e dos empregados do que "colocar em comum"(Aktouf, 1996:136).
Um exemplo de como essa busca do controle e da manipulação via comunicação pode causar estragos à vida das organizações e das pessoas que as compõem é o duplo contrangimento (que consiste em receber uma mensagem e seu contrário, uma solicitação e seu inverso, sem a possibilidade de executá-las). Ele pode ser traduzido na implementação de programas de qualidade total e de vida, paralelamente à introdução de conceitos como o de empregabilidade. Ou seja, a busca de comprometimento e integração, ao mesmo tempo em se deixa claro que não há garantias de emprego e de estabilidade.
Ao chegarmos nesse ponto, perguntamos: como pode a comunicação, com todos esses problemas, barreiras e desvios, contribuir para um processo de aprendizagem e de qualificação organizacional e pessoal. É possível superar esses problemas? Sinceramente, não possuímos ainda as informações necessárias para responder essa pergunta com segurança. Mas algumas respostas podem estar sendo construídas a partir das mudanças que se operam no campo da comunicação organizacional (...)
1997 Prof. Dr. João José Azevedo Curvello - Ação Comunicativa
Neste bloco, veremos como a comunicação organizacional vem sendo analisada e operada, ao longo do tempo, nas organizações. De início, convém conceituar e diferenciar comunicação e informação.
Comunicação é, antes de tudo, interação, diálogo, tornar comum. Não pode ser confundida com a simples transmissão unilateral de informações. Mas, no ambiente das organizações, a dimensão comunicação quase sempre está reduzida a um instrumento de divulgação e de controle.
Em trabalhos anteriores (Curvello, 1993, 1996a, 1996b), referimo-nos ao fato de que, em função das mudanças implementadas nas organizações, ampliou-se nos últimos anos o estudo da comunicação praticada na organização, pois esta se constitui num dos elementos essenciais no processo de criação, transmissão e cristalização do universo simbólico.
Naqueles textos, já identificávamos que a comunicação organizacional passava, de mero instrumento gerencial para transmissão de ordens e
informações, a ser vista como estratégica para a construção de um universo simbólico, que, aliado às políticas de administração de recursos humanos, visava aproximar e integrar os públicos aos princípios e objetivos centrais da empresa, apropriando-se em quase todos os momentos, dos elementos constitutivos desse universo (histórias, mitos, heróis, rituais) na construção e veiculação das mensagens pelos canais formais (jornais, boletins, circulares, reuniões), numa permanente relação de troca com o ambiente (Curvello, 1993: 7).
Tradicionalmente, a comunicação organizacional foi sendo definida resumidamente como: aquela que serve para criar, fazer funcionar e manter atuantes as organizações sociais... Em razão disso, pertencem ao âmbito da comunicação organizacional todas as atividades comunicativas de que lançam mão os responsáveis por uma organização para que ela exista e cumpra o seu papel (Almeida, 1981:82).
Detentora de um clássico papel integrador e harmonizador, outra característica da comunicação organizacional foi o fato de ter colaborado para criar o que Etizioni (1980:70) denominou de "quadro irreal de felicidade". A organização era descrita como uma família ideal, onde não havia a luta de poder entre grupos com valores e interesses conflitantes. E mais: os comunicados organizacionais, vendiam a idéia de que a organização era o único espaço em que o indivíduo poderia crescer, a única referência, o único ponto de apoio. (Curvello, 1993, 1996a, 1996b).
Mas apesar da crescente importância atribuída à comunicação, muitas são as barreiras organizacionais a um livre fluxo de idéias e opiniões.
As primeiras grandes barreiras podem ser encontradas nas próprias contradições inerentes ao trabalho. Essas contradições internas, no entender de Aktouf (1996), se produziriam na separação produtor/produto de seu trabalho, na perda do sentido do trabalho (separação trabalhador/ação), no corte com a natureza (o tempo do trabalho subverte o tempo biológico) e na separação trabalhador/proprietário.
Outra variável importante para analisarmos como as empresas lidam com a questão da comunicação é a ideologia gerencial, ou o modo de pensar dominante no ambiente da administração, em que toda questão é avaliada a partir da perspectiva da racionalidade econômica, através da otimização dos meios, com rapidez, em busca da eficácia. Essa racionalidade, aliada às estruturas burocráticas, acaba por impor barreiras ao livre trânsito de informações. Só circulam livremente aquelas informações e aquelas idéias voltadas para a produtividade. Tudo o mais é visto como desperdício (Chanlat e Bedard, 1992:137-143).
A própria língua administrativa, caracterizada pela predominância do modo imperativo e pela normatização, constitui outra barreira. No Brasil, de tradicional cultura bacharelesca, juntam-se a esse pendor autoritário, o rebuscamento e o excesso de preocupação com a forma, em detrimento do conteúdo. A isso podemos agregar a barreira representada pelos jargões especializados ou idioletos que, em sua codificação levada ao extremo, restringem sua interpretação a iniciados.
A estrutura burocrática, a que já nos referimos, e que ainda domina a cena organizacional, é talvez a maior das barreiras, por impor canais e interlocutores, definindo-os previamente a partir da hierarquia funcional.
Outros obstáculos são as culturas organizacionais ancoradas na autoridade e na norma, a que também já nos referimos, e o excesso ou a falta de objetividade. O excesso de objetividade levando a uma reificação da comunicação e a uma redução do processo comunicativo à razão instrumental; e a falta de objetividade levando a uma falsa democracia em que todos falam sem chegar a um entendimento.
Ainda podem ser listadas como barreiras à comunicação a prevalência de algumas idéias preconcebidas acerca da figura do executivo ou administrador, as verdades definitivas, no entender de Aktouf (1996:122-127). A primeira dessas verdades seria a noção de propriedade privada, com base na legitimação da detenção do poder e do exercício da dominação, tratada como um instinto ou algo natural enquanto, na realidade, é fruto das relações sociais e das culturas. A outra verdade diz respeito aos direitos do chefe, como o poder, os privilégios reservados, o direito de usar em primeiro lugar, de dar ordens, de se fazer obedecer, de decidir... (AKTOUF, 1996:124). Outra, estaria associada à ideía de que a busca de produtividade, do prazer máximo e do ganho sistemático seriam também qualidades naturais à espécie humana. Essas visões justificam muito da postura autoritária encontrada em administradores, que acreditam piamente terem sido naturalmente escolhidos para os altos postos da hierarquia.
Além desses obstáculos listados e comentados, é preciso concordar com Omar Aktouf quando nos diz que a comunicação organizacional, tal como é conduzida, teorizada e tradicionalmente ensinada, visa muito mais o controle e a dominação das situações e dos empregados do que "colocar em comum"(Aktouf, 1996:136).
Um exemplo de como essa busca do controle e da manipulação via comunicação pode causar estragos à vida das organizações e das pessoas que as compõem é o duplo contrangimento (que consiste em receber uma mensagem e seu contrário, uma solicitação e seu inverso, sem a possibilidade de executá-las). Ele pode ser traduzido na implementação de programas de qualidade total e de vida, paralelamente à introdução de conceitos como o de empregabilidade. Ou seja, a busca de comprometimento e integração, ao mesmo tempo em se deixa claro que não há garantias de emprego e de estabilidade.
Ao chegarmos nesse ponto, perguntamos: como pode a comunicação, com todos esses problemas, barreiras e desvios, contribuir para um processo de aprendizagem e de qualificação organizacional e pessoal. É possível superar esses problemas? Sinceramente, não possuímos ainda as informações necessárias para responder essa pergunta com segurança. Mas algumas respostas podem estar sendo construídas a partir das mudanças que se operam no campo da comunicação organizacional (...)
1997 Prof. Dr. João José Azevedo Curvello - Ação Comunicativa
comunicação
"Toda a actividade de uma empresa (ou qualquer organização) é um encadeamento de processos de interacção e de comunicações: eles são o lubrificante que permite o funcionamento do mecanismo organizacional".
Cabin (1999, p.81)
Cabin (1999, p.81)
comunicação
" A comunicação é uma dança"
Clampitt(2001)
Clampitt(2001)
blogs-uma ágora na net
(...)Blogs - uma ágora na net Recorde-se que a ágora era a praça pública onde se realizavam as assembleias (do povo e do exército, por exemplo) e reuniões de carácter comercial, cívico, político e religioso na Grécia Antiga, um espaço onde todas as suas ideias, sugestões e propostas. Para muitos, essa ágora foi o verdadeiro berço da democracia, uma vez que aí os cidadãos praticavam a liberdade de pensamento e expressão em domínios como as artes, a política e a filosofia. Acontece que os blogs constituem um espaço onde qualquer pessoa (que tenha acesso à internet) pode dizer o que pensa sobre determinado assunto, um espaço que proporciona a troca de conhecimento e muitas vezes impulsiona o debate. Transpomos assim a ágora, que ocupava na sua génese um espaço físico, na praça pública delimitada, para um espaço virtual proporcionado pela internet (...)
Catarina Rodrigues
Catarina Rodrigues